30 de março de 2016

Ruim madrugada

​Reviro na cama buscando pela melhor posição para os cinco minutinhos que me restam antes de ter de levantar com o despertador bagunçando meus pensamentos.
Três da manhã. 
Rolo de um lado pro outro e suspiro profundamente porque eu sei que não vai dar, o relógio parece estar mais rápido e não vou ter tempo suficiente pra descansar um pouco mais, mas no fundo isso não faz diferença.
Já são quatro horas e eu nem preguei o olho.
Eu não conseguiria voltar a dormir nem que eu me esforçasse o bastante pra isso, nem se ainda restasse o dia inteiro e não houvesse nenhum compromisso demarcável. Angustia batendo na porta. Ainda tá escuro lá fora. Tá vazio demais e eu só consigo sentir essa angústia consumir o meu corpo, meu sono e a minha vontade de sair daqui, e quando eu digo “aqui” não é da cama que eu to falando.
Já são cinco e meia.
Hora de passar um café bem forte e escolher uma xícara, mas que não lembre você. Dá pra notar que o céu ficou mais nublado desde que percebi, mas foi só isso que mudou, o resto continua igual. Meu quarto ainda tem muito de você, suas blusas no guarda-roupa e seu caneco de boteco ainda ta no armário. Ainda tem sua escova de dente junto da minha e o seu perfume ainda está impregnado meu travesseiro.
O horário já não importa mais.
Fiquei na esperança de você perceber que deixou pra trás o amor da sua vida e voltar pra me buscar; (é daqui que tô falando). Eu sei que você já tá longe demais pra olhar pra cá, eu sei que já passou da hora e que você nunca mais vai vir. Juro que sei, mas eu não consigo te deixar ir, pelo menos não de mim.