29 de março de 2020

O acordar de uma ansiosa

Aí você acorda com uma dor no peito, falta de ar, coração acelerado, achando que vai morrer...COVID-19? Não, é só mais uma crise de ansiedade. 
Ainda há quem diga que isso não existe, que é frescura. 
Você respira fundo e não sente o ar entrando nos pulmões, tenta se acalmar e vai tomar um banho gelado, afinal a água correndo pelo seu corpo é uma sensação real. Tenta tirar o foco da dor, da tremedeira. Vai atrás de descobrir o que desencandiou isso dessa vez, pensa, descobre, tenta se concentrar numa solução e não no problema em si. O coração diminui as palpitações, a tremedeira diminui. A dor no peito continua, mas calma que ela logo passa. 
Respiro fundo mais uma vez, sinto o ar entrar nos pulmões, agradeço, não vai ser dessa vez. 
Fico tranquila, dessa vez consegui identificar e amenizar, mais a maioria das vezes é mais difícil fazer isso. Repito o processo e só peço pra passar. 

Viver com a ansiedade é calcular todas as coisas e pensar em tudo que pode acontecer em cada ação; é premeditar tudo que pode dar errado e se preparar pra aquilo como uma dor no peito que sufoca. 

Mais a gente tem que viver um dia de cada vez. A gente tem que viver. 
"Aguentaí". 

26 de março de 2020

Engole o choro!

Você sabe que não é fácil. Nunca foi. Engolir o choro enquanto minha única vontade se resumia a desmoronar bem na sua frente enquanto digo que a culpa é inteiramente sua, e lembrar, só mais uma vez, que se você não tivesse ido atrás do meu telefone naquele domingo a noite, nada disso estaria acontecendo, devia te odiar por isso. DEVIA. Mas quando meu ódio oscila, seu amor me doma, e aí eu sei, é hora de aumentar a dose. Garçom, uma mais forte por favor!