11 de agosto de 2017

[...] é besteira.

Já falaram que era frescura, que é coisa de quem não tem o que fazer. Que deveria ocupar minha mente, trabalhar (mais?), voltar a estudar e deixar de pensar essas besteiras. 
Já falaram também que só reclamo e que uso isso pra sentirem pena de mim. Outro já se incomodaram com meu choro e me mandaram procurar um psiquiatra. 
O que ninguém entende é o medo, medo de falar das dores, o peso da angústia em me manter "normal". Ninguém entende a luta de todos os dias enfrentar seu "eu" em pedaços e tentar juntar ele de novo, de novo e de novo. 
Ninguém entende o quanto eu quero sair disso, eu não sou assim, não sou, eu estou assim. Queria só que fosse uma fase, que fosse preguiça, frescura e que só vontade bastasse pra mudar tudo. Ninguém entende a autoestima perdida e o descaso que era o tempo todo presente. 
Ninguém vê a tua luta diária pra virar a página, como me sinto impotente e quantas vezes já passou pela cabeça desistir de tudo. 
Quantas vezes chorei sozinha no chuveiro pra ninguém ouvir, e tinha que ser rápido, porque esperavam por mim na porta. Quantas vezes eu quis dormir e acordar leve, como eu era antes. Não é falta de fé, e nem falta de Deus. 
É como está no meio de um mar violento que quer te puxar pra baixo e te matar afogado nas tuas próprias lágrimas. Você tenta com todas as forças nadar e sair dali, até que chega o momento em que você cansa.